A pressa correu para longe, espantada, quando se encontraram no ponto de ônibus. Lábios e olhos pálidos esboçavam sorrisos e o alívio saiu dos pulmões, corando o ar. Os corações se acalmaram e os rostos se fitavam meio ao frio de cortar qualquer alma... Por um, dois, três segundos: um dos lábios de um quis completar a boca doutro, incentivando os dedos tímidos de frio a saírem de dentro dos bolsos e se tocarem, indicador com indicador, anelar com anelar, até que toda a palma estivesse coberta pelo calor por vir. Coraram um ao outro com o hálito quente, um calafrio que, antes mudo, revivia as peles matando a saudade e descongelava cada vaso, cada sentimento hibernante naquele começo de noite, percorreu por cada fibra dos corpos.
Um beijo de chegada, o mesmo da despedida.
O calafrio calou-se frio quando ela subiu no ônibus.
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