quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mentira

Minha cabeça deu voltas durante meses, sem que eu conseguisse fixar o olhar em qualquer outro. Sem que qualquer música, até as mais dilacerantes, me causassem qualquer efeito. Passei semanas tendo lapsos de frases bonitas bem esporádicos, que se perdiam no mesmo instante em que eu os percebia. Mas então eu senti hoje, num dia quente de pré-verão, o aconhego de uma história que não é minha. E senti as lágrimas se misturando ao suor. Doeu como nunca, doeu como uma sede à boca faminta. Sinto sede disso. De aconchego, de um chega-pra-cá querido. Passei dias distante do que me deveria ser familiar, mas quando volto, ainda não me sinto em casa.
Faltou um avião.

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