sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Little White Lies

Acordei com um tapa na cara do sol entrando janela adentro, fazia tempo que eu não despertava pela manhã, que meu sono não era um coma induzido pelo meu tédio. Hoje eu não bebo café. Despertei com uma desrespeitadora vontade de não morrer, trazendo até certa agonia por me fazer lembrar de inspirar-expirar. O espelho me deu um susto com o tamanho do meu cabelo, acho que até cresci alguns centímetros. Minha carótida dá saltos no ritmo de Varella, minha boca traiu a cianose com um batom rosa-chá e um prédio surgiu bruscamente em frente à minha janela. Hoje não terei quem me leia, quem me ligue, quem me faça sentir obrigada a ser infeliz por não ser feliz. Hoje o mundo não é preto e branco escrito em folhas de papel reciclado fedorento, nem em letras de músicas que falam por nós, muito menos está desenhado no mapa turístico pendurado na parede do quarto. Hoje o porteiro não tem nome, não conheço telefone. Hoje não será o ontem de amanhã, nem o amanhã de ontem. Hoje me é, amanhã não.

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